Esse é um daqueles livros em que quando lemos a ultima
linha sentimos uma sensação de desespero, tristeza, é como se a realidade caísse
em frente aos nossos olhos, nos forçando a enxergar o que normalmente não
vemos.
No país dos homens é um livro que até pouco tempo, nunca
havia ouvido falar, me chamou a atenção em uma prateleira de uma feira de
livro. E como valeu a pena dar uma chance para o desconhecido.
O livro é contado em primeira pessoa, o narrador,
Suleiman é um garoto de apenas nove anos, que com sentimentos conturbados tenta
compreender o que anda acontecendo em seu país. O romance vai se passar no ano
de 1979, um dos anos mais conturbados da ditadura na Líbia. Vivendo em Trípoli,
capital da Líbia, com seus pais. Suleiman tem uma vida comum, está sempre com
Karin, seu melhor amigo e vizinho, até que um dia integrantes do Comitê Revolucionário
prendem o pai de Karin, acusando-o de traição. Logo depois, eu pai, desaparece,
e sua mãe fica cada vez mais ‘doente’.
Em alguns momentos a atitude do protagonista é totalmente
errada, e então lembramos que ele é uma criança, ninguém o explicou o que está
acontecendo, e ele não sabe o que está fazendo. Acompanhamos todo o desenrolar
da história, e como a violência pode mudar a visão de um garoto diante o mundo.
O livro é torturante, e é incrível como a história consegue afetar o leitor
psicologicamente.
A ditatura da Líbia durou 42 anos, entre 1969 a 2011.
Governada por Muammar
Kadhafi, foi um período de crueldades sofridas pela população. Período
em que crianças aprendiam a usar armas na escola, e queimar livros americanos. Em
que pessoas eram assassinadas publicamente.
Eu
nunca havia nada sobre o assunto, e a leitura de ‘No país dos homens’ me fez ir
atrás e procurar saber mais. Eu tive uma grande relação de amor e ódio com o
livro, mas no fim, eu gostei muito. Recomendo bastante.
Hisham Matar nasceu no ano
de 1970, viveu em Trípoli na infância, seu romance ‘No país dos homens’ tem
inspiração autobiográfica.

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